A comida é uma parte integrante de qualquer cultura. Tal como os modos e costumes, tal como a língua, tal como os trajes, a comida também é um fator de diferenciação entre as várias culturas mundiais. É uma necessidade imprescindível relativa ao Homem. Relativa no seu sentido literal. Até porque aquilo que pode ser considerado bom numa cultura, noutra pode ser considerada aberrante. Todavia, a comida também pode ser considerado um meio de afirmação nacional. Aquilo a que vulgarmente apelidamos de típico. Típico de um país ou de outro. Comida que a olhos vistos remete-nos para um país ou conjunto de países específicos.
Nesta época natalícia, o bacalhau é, sem dúvida, o ‘rei’ da cozinha portuguesa e no Natal não é exceção. No entanto, este ‘fiel amigo’ não é o único protagonista das ementas desta época festiva. Para além do emblemático Bacalhau, de Norte a Sul do País, cada região reveste-se de algumas especificidades no que diz respeito ao Natal.
Na região do Douro e Minho, o polvo e o bacalhau são servidos juntos com batatas e couve-portuguesa cozidas. No dia de Natal, come-se um prato feito com os restos da Consoada denominado de ‘roupa velha’ e, ainda, peru assado recheado com creme de castanhas. Os doces mais tradicionais desta época são os mexidos de leite ou vinho, a aletria e as rabanadas servidas com calda de açúcar ou doce de ovos.
Quanto à ementa da Consoada de Trás-os-Montes e Alto Douro esta é muito idêntica à do Minho. Quanto ao almoço de Natal, esse começa com uma canja de galinha, prossegue com um assado de peru, leitão, borrego ou porco e termina com vários doces, tais como migas doces e filhós de abóbora-menina.
Na Estremadura, a tradição passa pelo bacalhau acompanhado de batatas e couves cozidas, na Consoada, e pelo cabrito assado com batatinhas, no dia de Natal. Nesta zona do país, as broas feitas à base de batata-doce são presença constante, bem como a aletria, as fatias douradas, as azevias e as filhós.
As mesas de Natal nas Beiras são semelhantes às da Estremadura em quase tudo. A diferença está nas filhós do joelho, que são "estendidas" no joelho, dando-lhes uma forma única, e no bolo torto, que é confeccionado com a massa das filhós.
No Alentejo, o galo também é o manjar eleito para celebrar a Consoada, além do bacalhau cozido com couve. No dia 25, o prato principal costuma ser peru recheado com carnes e enchidos alentejanos. Na hora da sobremesa, são servidos coscorões, carolo e azevias de grão ou batata-doce.
No Sul, além de enchidos, presuntos, carne de porco salgada ou fumada e peru recheado assado no forno, come-se um galo, escolhido meses antes. O bolo de mel é um dos doces que também não pode faltar nas mesas algarvias assim como as filhós, as fatias douradas, os pastéis de batata-doce, as empanadilhas, as rabanadas, as estrelas e os queijos de figo, os bolos de amêndoa e os Dom Rodrigo.
No que diz respeito às ilhas. Nos Açores, os pratos natalícios são a galinha, assada ou guisada, e outras carnes como a de porco e de vaca. As rabanadas, os bolos secos e o arroz doce juntam-se também à festa.
Já na Madeira, no dia 24, comem-se espetadas e, no dia de Natal, carne em ‘vinha-e-alhos’ e canja de galinha. Não faltam, ainda, vários licores e bolos, como o famoso bolo de mel da Madeira e o bolo de noz ou de abóbora.