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Os Herdeiros

Os Herdeiros

Diálogo [im]provável

- Hoje recebi o meu teste de Português. E não estou contente. Baixei dois valores relativamente ao primeiro teste por causa dos erros.
- Dois valores é muito! Mas tu deste assim tantos erros? 
- Eu não consideraria erros mas com o novo acordo ortográfico, erro muita coisa agora.

- Relativamente a isso só tens de saber que em muitos dos casos existe a supressão de consoantes mudas como a palavra "ação" que perde um dos seus "c"; a eliminação de acentos gráficos como na palavra "boia" por exemplo; a reformulação do uso do hífen como na palavra minissaia que agora se escreve tudo junto ou até a alteração da inicial maiúscula como na escrita dos meses do ano. No entanto existem algumas exceções e é sobre elas que te deves concentrar, pois poderão confudir-te um pouco.

- Assim parece muito mais fácil. Talvez o meu problema tenha sido mesmo a minha não-adaptação à nova escrita durante o período de transição...

- Também acho, tiveste 6 anos para efetuares essa transição definitiva para a nova ortografia e desperdiçaste-a mas nada está perdido.

- Obrigada pelas explicações. Não há razão para perder 2 valores por causa dos erros, agora.

 

Dialógo ocorrido em 2016.

Texto da nossa autoria.

Comida Portuguesa em dias de festa

 

A comida é uma parte integrante de qualquer cultura. Tal como os modos e costumes, tal como a língua, tal como os trajes, a comida também é um fator de diferenciação entre as várias culturas mundiais. É uma necessidade imprescindível relativa ao Homem. Relativa no seu sentido literal. Até porque aquilo que pode ser considerado bom numa cultura, noutra pode ser considerada aberrante. Todavia, a comida também pode ser considerado um meio de afirmação nacional. Aquilo a que vulgarmente apelidamos de típico. Típico de um país ou de outro. Comida que a olhos vistos remete-nos para um país ou conjunto de países específicos. 

 

 

Nesta época natalícia, o bacalhau é, sem dúvida, o ‘rei’ da cozinha portuguesa e no Natal não é exceção. No entanto, este ‘fiel amigo’ não é o único protagonista das ementas desta época festiva. Para além do emblemático Bacalhau, de Norte a Sul do País, cada região reveste-se de algumas especificidades no que diz respeito ao Natal.  

 

Na região do Douro e Minho, o polvo e o bacalhau são servidos juntos com batatas e couve-portuguesa cozidas. No dia de Natal, come-se um prato feito com os restos da Consoada denominado de ‘roupa velha’ e, ainda, peru assado recheado com creme de castanhas. Os doces mais tradicionais desta época são os mexidos de leite ou vinho, a aletria e as rabanadas servidas com calda de açúcar ou doce de ovos.

 

Quanto à ementa da Consoada de Trás-os-Montes e Alto Douro esta é muito idêntica à do Minho. Quanto ao almoço de Natal, esse começa com uma canja de galinha, prossegue com um assado de peru, leitão, borrego ou porco e termina com vários doces, tais como migas doces e filhós de abóbora-menina. 

 

Na Estremadura, a tradição passa pelo bacalhau acompanhado de batatas e couves cozidas, na Consoada, e pelo cabrito assado com batatinhas, no dia de Natal. Nesta zona do país, as broas feitas à base de batata-doce são presença constante, bem como a aletria, as fatias douradas, as azevias e as filhós.

 

As mesas de Natal nas Beiras são semelhantes às da Estremadura em quase tudo. A diferença está nas filhós do joelho, que são "estendidas" no joelho, dando-lhes uma forma única, e no bolo torto, que é confeccionado com a massa das filhós.

 

No Alentejo, o galo também é o manjar eleito para celebrar a Consoada, além do bacalhau cozido com couve. No dia 25, o prato principal costuma ser peru recheado com carnes e enchidos alentejanos. Na hora da sobremesa, são servidos coscorões, carolo e azevias de grão ou batata-doce.

 

No Sul, além de enchidos, presuntos, carne de porco salgada ou fumada e peru recheado assado no forno, come-se um galo, escolhido meses antes. O bolo de mel é um dos doces que também não pode faltar nas mesas algarvias assim como as filhós, as fatias douradas, os pastéis de batata-doce, as empanadilhas, as rabanadas, as estrelas e os queijos de figo, os bolos de amêndoa e os Dom Rodrigo. 

 

No que diz respeito às ilhas. Nos Açores, os pratos natalícios são a galinha, assada ou guisada, e outras carnes como a de porco e de vaca. As rabanadas, os bolos secos e o arroz doce juntam-se também à festa.

 

Já na Madeira, no dia 24, comem-se espetadas e, no dia de Natal, carne em ‘vinha-e-alhos’ e canja de galinha. Não faltam, ainda, vários licores e bolos, como o famoso bolo de mel da Madeira e o bolo de noz ou de abóbora. 

Crónicas de outros Portugueses - I

E porque consideramos ser fundamental a integração de outros conteúdos que não sejam só da nossa exclusiva autoria, iniciaremos uma rubrica intitulada "Crónicas de outros Portugueses", que tal como o primeiro vocábulo assim o indica, tratar-se-ão de um conjunto de crónicas sobre Portugal, A Língua Portuguesa ou os Portugueses, recolhidos nos mais diversos sites de comunicação social ou em outros meios de difusão pública. Eis a primeira:

 

"Por esta altura do ano, nomeadamente no Interior, Portugal ganha uma nova vida, uma nova agitação e uma nova alegria. Repetem-se festas onde regressam para férias [..] os emigrantes, nomeadamente os que foram para destinos tradicionais como a França, a Suíça, a Alemanha, a Bélgica, o Luxemburgo, a Venezuela, os Estados Unidos e o Canadá, ou mais recentemente Angola e Moçambique. A esses se juntam outros de partida recente, seja depois da crise de 2008, seja um pouco antes, aproveitando bolsas e programas internacionais ou que demandaram antigas colónias, nomeadamente Angola. Independentemente da época, das profissões, do nível de estudos ou da condição social, esse conjunto diferenciado é também Portugal. A nossa história, a nossa diáspora, a nossa predisposição para partir quando o retângulo não dá sustento ou não comporta o sonho, é prova de uma condição que ultrapassa a existência de um estado geográfico, por acaso o mais antigo da Europa. Somos portugueses! Cada um de nós sabe ou tem uma ideia do que fomos como superpotência, mãe da primeira globalização. E tem também uma perceção da dimensão microscópica de um país que deu lugar a uma raça que ultrapassa as suas fronteiras. Hoje há uma panóplia variada de portugueses espalhados pelo mundo. Há sucessos e fracassos em todas as áreas de atividade, nos mais humildes, nos mais intelectualizados, nos ricos que abrem falência, nos pobres que enriquecem e até há uma classe política de descendentes orgulhosos, sejam de segunda sejam terceira geração, pois  a primeira mais não fez que trabalhar e alguns da segunda tiveram dificuldade em assumir as humildes origens lusitanas. [...]"

 

 "Somos mais do que um país. Somos um povo" de Eduardo Oliveira Silva, retirada de I Online

Crónica com supressões

 

Ó Mar de Portugal

Temas como o Amor ou a Saudade sempre foram um instrumento poético e inspirativo para muitos poetas e trovadores que fizeram dos seus textos, magníficas obras para a posteridade. Mas a esta panóplia diversificada de temas e assuntos retratados, acresce-se um que daria largas à imaginação e à realidade: o mar.

 

Cantado e desejado pelos historiadores e poetas. Personificação autêntica da saudade, do infinito, do orgulho nacional, da mitologia e do misticismo que o envolve.

 

O seu caréter transversal e oblíquo apaixonou - e ainda apaixona -  os que nele se aventuram. Todavia, nem tudo é um «mar de rosas» e o mar não é diferente das pessoas. O mar também tem duas caras. Dispõem de uma riqueza natural, mineral, piscícola que nos embebeda desejando a respiração duradoura nos mais profundos aquíferos. Mas vinga-se esporadicamente. Vivendo um confronto permanente com a Terra. Uma disputa saudável, se bem que por vezes, trágica. 

 

E se para nós, que hoje descobrimos mais do que os nossos antepassados sabem sobre ele, imagem como foi para eles - portugueses de outros séculos -  viverem na ânsia de descobrir o que estava além-mar. Assim desculpabiliza-se o atrevimento  e a curiosidade do povo português em descobrir o infinito. Em arriscar a sua vida na descoberta de uma vida melhor ou mais duradoura. Em dar a conhecer Portugal ao mundo e a Língua Portuguesa. Em extreditá-la.

 

Foi sobre ele que iniciamos a nossa política expansionista - não só territorial mas também línguistica. Foi sobre ele que demos voz ao provérbio: «Quem não se aventurou, não perdeu nem ganhou.»

Texto da nossa autoria.

 

"Ó MAR SALGADO, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar.
Valeu a pena? Tudo vale a pena
se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
Fernando Pessoa

 

O cosmopolitismo da cidade de Lisboa

 Lisboa, Século XV e XVI

 

As navegações portuguesas para os arquipélagos atlânticos, para a Europa, a África, a Ásia ou a recente – na altura – descoberta América, transformaram Lisboa, desde cedo, na metrópole comercial do mundo. A boa disposição territorial de Portugal comparativamente a outros países, centrado no coração do oceano Atlântico, contribuiu para o sucesso do porto - de Lisboa - que no seu espaço detinha as gentes, deambulando a um ritmo efervescente: eram sobretudo soldados, mercadores, missionários, aventureiros e curiosos que chegavam ou partiam para ingressar novas viagens numa descoberta do mundo até então desconhecido, aventurando-se em novos caminhos nada previamente traçados, deixando os corações divididos dos seus entes mais queridos. Eram pessoas que «nunca partiam por completo» assim como os que ficavam esperando  «nunca ficavam por inteiro.»

 

Lisboa começava a crescer a olhos vistos ao mesmo que uma sucessão de transformações tornava Lisboa numa das mais animadas e maiores cidades da Europa, vivendo um período áureo: o espaço urbano foi expandido, a população cresceu vertiginosamente, e os níveis de produção de volume de mercadorias sofria um forte incremento coadunado e auxiliado por uma panóplia de embarcações dos mais diversos tipos, proveniências e dimensões. 

 

As estruturas citadinas deixaram de responder às necessidades de um Império que se estenderia aos 4 cantos do mundo.

E as suas obras posteriores realçaram a ligação da cidade à sua zona ribeirinha. 

 

Nas suas lojas e no mercados pairava o cheiro a canela e a pimenta que fascinava os que ali afluíam. O ouro, a prata, as sedas, as porcelanas, os tecidos, o açúcar, as plantas e as madeiras exóticas, provenientes das várias partes do mundo, deslumbravam os visitantes e os mais curiosos. Daí que não seja de admirar a recorrência de grandes homens de negócios à cidade de Lisboa. 

 

Estava assim consagrado o papel cosmopolita da cidade de Lisboa, que acolhia as muitas gentes que recebia num entrecruzar de dialetos e línguas assim como o seu papel vanguardista na abertura europeia ao Mundo, que considerámos ser responsável pelo alargamento dos seus próprios horizontes com as ulteriores viagens transoceânicas realizadas por mar.

 

O mar. Que falemos posteriormente. 

Texto da nossa autoria.

 

Padrão dos Descobrimentos - LISBOA: "O monumento apresenta o formato de uma caravela, ladeada inferiormente por duas rampas que se reúnem na proa e onde se destaca, com 9 metros de altura, a figura do Infante D. Henrique. Ao longo das rampas encontram-se 16 figuras de cada lado, esculpidas com equilíbrio e rigor, onde o dinamismo e o movimento dos corpos se projectam no sentido do rio Tejo, e que representam uma síntese histórica de vultos ligados direta ou indiretamente aos Descobrimentos." (in http://www.padraodosdescobrimentos.egeac.pt)

Língua Portuguesa: "idioma para o futuro" no Reino Unido

Acabamos de ler uma notícia que considerava o "Português" um dos 10 idiomas estrangeiros mais importantes nos próximos 20 anos no Reino Unido, segundo um estudo do instituto British Council. Segundo a publicação «a língua portuguesa integra esta (...) lista das línguas consideradas ‘vitais’ num horizonte temporal de 20 anos» partilhando esse estatuto com «o Espanhol, Árabe, Francês, Mandarim, Alemão, Italiano, Russo, Turco e Japonês».

 

Os autores do estudo britânico destacaram, segundo pudemos perceber, a utilização do português como uma «língua de trabalho da União Europeia (UE) e em outros organismos internacionais, como a Organização dos Estados Ibero-americanos, União Africana, Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral e a União das Nações sul-americanas, mas também o facto de a língua portuguesa ser o quinto idioma mais utilizado na Internet ».

 

Esta projeção da nossa língua está evidentemente ligada «ao número de falantes da língua portuguesa, ao número de países de língua oficial portuguesa, à presença e crescimento na Internet, à cultura, sobretudo ao nível da tradução de originais e, desde há alguns anos, à ciência, devido a um forte crescimento da produção de artigos em revistas científicas».

Apresentação

Gostamos de trabalhar. De explorar. De investigar. De conhecer. E melhor oportunidade que esta para aprofundamos a nossa cultura línguistica e não só, não poderia ter vindo em melhor altura. O Português ou a Língua Portuguesa são os nossos meios de comunicação. É através deles que comunicamos uns com outros. Que nos expressamos. Que discutimos. É ele ou ela que orientam a nossa vida. O nosso quotidiano.

 

Decidimos ingressar neste projeto porque somos confiantes. Porque somos exploradores. Somos portugueses - e isso explica tudo. Acreditamos que podemos ir além-fronteiras, tal como outrora os nossos antepassados foram. E conquistaram.

 

O nosso objetivo ao participar passa primordialmente por divulgar aquilo que de maior temos - a Língua Portuguesa, através da leitura e da escrita em português -, a difusão da cultura portuguesa, a sua riqueza e o seu património, numa soberba amostra cultural lusitana. Porque afinal de tudo "o povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo", já dizia Fernando Pessoa.