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Os Herdeiros

Os Herdeiros

Eça é o autor português mais traduzido na China

O autor de "Os Maias" encabeça a lista dos 22 escritores portugueses traduzidos para chinês publicada esta semana pela "Portu-Nês", uma revista online dedicada aos Estudos Lusófonos na China. [...] A maioria dos autores, entre os quais os poetas Eugénio de Andrade e Sophia de Mello Breyner Andresen, é do século XX e três deles (Alice Vieira, Luís Miguel Rocha e Maria González) continuam a publicar. Cronologicamente, a lista começa com dois dos mais aclamados clássicos do século XVI: Luís de Camões e Fernão Mendes Pinto. No século XIX, Eça de Queiroz aparece acompanhado por Fialho de Almeida, Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco. Ferreira de Castro, Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes, Domingos Monteiro, Luís Sttau Monteiro, Fernando Namora, Camilo Pessanha, Alves Redol e Miguel Torga são os outros nomes da lista. [...]" Notícia com supressões retirada de http://www.noticiasaominuto.com/

 

Apesar disso, em comparação com a publicação literária de outras línguas estrangeiras, este número ainda é reduzido e não está à altura do desenvolvimento literário em pleno auge de língua portuguesa nos últimos anos. Além disso, dado que uma grande parte desses livros foi publicada há muitos anos (os mais antigos datam da década de 50), é pouco possível que os leitores chineses os tenham à perfeita disposição. O ensino do português na China continental, que até há 15 anos estava confinado a duas universidades (Pequim e Xangai), é hoje ministrado em mais de vinte universidades. Aquele rápido desenvolvimento está associado aos crescentes laços económicos e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, sobretudo Angola e Brasil.

Percurso pela Cultura Literária - «Modernismo»

Modernismo (1915-1927)

 

Se eu fosse cego amava toda a gente. 
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade. 
Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste. 
Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos. 
Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas. 
Eu amo aquellas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas. 
Eu amo os cemiterios - as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim. 
Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi. 
Se eu fosse cego amava toda a gente. 

Almada Negreiros

O império do Pastel de Natal

Curiosamente, foi enquanto estávamos numa roda de amigos numa esplanada com vista para o Atlântico, a saborear um delicioso pastel de nata e um café meio cheio que, ao folhear uma news magazine portuguesa, demos "de caras" com este artigo sobre este nosso bolo tipicamente português que é o Pastel de Nata ou simplesmente apelidado, por nós, de Nata. Este artigo confirma a grandeza deste "nosso" bolo além-fronteiras, estendo-se a países que certamente nós nem desconfiávamos, como poderão ler nos excertos que copiamos, aquando da elaboração deste post.

 

Come-se em Hollywood e na Austrália. No Brasil e em Singapura. É, de facto, um embaixador de Portugal lá fora. [...] Conheça o império do pastel de nata à volta do mundo [...]

 

 

[...] À mesma hora, em Malaca, na Malásia, alguém estará a trincar um pastel de nata no Restoran de Lisbon. Ou na Comme a Lisbonne, em Paris, no chique bairro do Marais, que tem ao domingo a sua maior enchente. Daqui a umas horas, a pastelaria Bread Talk, da Catherine St, em Chinatown, Nova Iorque, abrirá as portas para os clientes das suas egg tarts – que é como os nossos pastéis de nata são conhecidos na maior parte do globo. Os pastéis de nata são nossos. E são, provavelmente, a nossa maior internacionalização. [...]

 

 

[...] O maior sucesso internacional do pastel de nata é a sua expansão asiática. Muito mais do que em África. A explicação é simples: com a descolonização, muitos portugueses saíram de África, entre os quais muitos pasteleiros. [...]

 

É de facto, a oriente que os pastéis de nata conquistaram as ruas e os hábitos chineses, de forma até inexplicável. E de Macau, onde a influência portuguesa continua forte, rapidamente se expandiram para Xangai, Hong Kong, Taiwan.

 

Em Xangai, os pastéis de nata da Lilian Cake Shop anunciam-se como «provavelmente os melhores do mundo», são feitos à maneira portuguesa, com a crosta queimada, e são considerados os melhores da cidade – e a concorrência é grande, como pode comprovar qualquer turista que ande pelas ruas mais centrais. A Loja de Comida n.º 1, na famosa Nanjing Lu, vende-os por quarenta centavos.

 

Em Pequim, o pastel de nata é o bolo mais vendido da famosa Honey Bear.

 

Em Hong Kong, diz-se que os melhores são os da famosa pastelaria Tai Cehong, de que o último governador inglês, Chris Patten, era fã. Esta pastelaria existe há mais de sessenta anos e tem mais de 14 sucursais, incluindo em Macau – tudo baseado no sucesso do seu pastel de nata, este feito à chinesa, sem ficar queimado por cima. Em Singapura, a confeitaria Tong Heng faz as melhores natas da cidade. [...]

 

Notícia, com supressões, retirada de http://www.noticiasmagazine.pt/2014/o-mais-internacional-bolo-portugues/

Percurso pela Cultura Literária - «Simbolismo»

Simbolismo (1890-1912)

 

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, 
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; 
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar 
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo. 
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito. 
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos. 
Nem depois de acordar te procurei no leito 
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo 
A tua cor sadia, o teu sorriso terno... 
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso 
Que me penetra bem, como este sol de Inverno. 
Passo contigo a tarde e sempre sem receio 
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca. 
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio 
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca. 
Eu não sei se é amor. Será talvez começo... 
Eu não sei que mudança a minha alma pressente... 
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço, 
Que adoecia talvez de te saber doente. 

Camilo Pessanha

Richard Zimler

Se te dissesse
que as andorinhas madrugadoras de Lisboa
me falam das suas alegrias e misérias
na linguagem da pedra e das bougainvilleas
compreender-me-ias?

Richard Zimler

 

Este foi o primeiro poema escrito em Português por Richard Zimler, em resposta ao Diário de Notícias, que lhe pediu um texto sobre o dia de S. António ou sobre Lisboa.

 

Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heights, um subúrbio de Nova Iorque. Fez um bacharelato em Religião Comparada na Duke University e um mestrado em Jornalismo na Stanford University. Trabalhou como jornalista durante oito anos, principalmente na região de São Francisco. Em 1990 foi viver para o Porto, onde lecionou Jornalismo, primeiro na Escola Superior de Jornalismo e depois na Universidade do Porto. Tem atualmente dupla nacionalidade, americana e portuguesa, e já publicou várias obras.

Biografia retirada de wook.pt

Dia da Mãe

E porque amanhã é dia da mãe, eis um belo poema dedicado a todas mães, de Eugénio de Andrade

 

Poema à Mãe

 

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal...
 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"

Entrevista Exclusiva - Tell a Story

Na sequência do post anterior, a equipa deste blogue mostrou interesse em saber mais sobre este projeto do "Tell a Story" e decidiu descobrir quem eram os rostos deste projeto. É mais uma entrevista concedida ao nosso blogue. 

 

Em que consiste o "Tell a Story" ?

O Tell a Story é uma livraria móvel, especializada em autores Portugueses traduzidos,que circula por vários pontos de Lisboa.

 

Como surgiu a ideia de criar este projeto?

Surge de uma necessidade que sentimos em tornar mais fácil o acesso à nossa literatura às pessoas que nos visitam e querem encontrar autores portugueses traduzidos para a sua língua e não encontram.

 

De que forma é que o "Tell a Story" promove a cultura portuguesa e o cosmopolitismo e a troca de saberes entre Portugal e os outros países?

A nossa língua é a nossa cultura. Para além dos museus temos páginas e páginas de verdadeira arte que deve ser partilhada. Páginas que podem fazer um estrangeiro entrar num mundo mais privado de um país ou de um lugar, um mundo que pode aprofundar a sua visita.

 

Quais são os livros mais requisitados?

Tem havido a maior variedade na procura, mas diria que Fernando Pessoa é o nosso best-seller. A ideia de criar uma livraria numa carrinha surgiu, segundo o que apuramos, numa das viagens que fizeram à China.

 

Onde é que a podemos visitar?

A carrinha pode ser encontrada em vários pontos das nossas colinas…do castelo pela manhã ate uma tarde simpática no jardim do Príncipe Real.

 

 

Há a possibilidade da carrinha se deslocar a outros locais do país, que não só Lisboa, num futuro próximo?

A carrinha ja está na rua e a partir de agora,enquanto houver estrada…quem sabe? Estamos apontados nessa direção.

 

Como é que o projeto tem sido recebido pelos estrangeiros?

Tivemos um verão fantástico e uma receção simpática e curiosa. Temos cliente peritos em literatura portuguesa e verdadeiras páginas em branco.

 

Quais são os clientes-tipo do vosso projeto?

Em geral, os clientes que nos abordam não vêm em excursões organizadas ou em grupo. Em geral não têm pressa e são curiosos…..um cliente suíço que leia em italiano,francês e alemão.

 

Que informações ou conteúdos poderemos encontrar no vosso site sobre o projeto?

No site pode encontrar o nosso manifesto, mini biografias sobre os autores que temos disponíveis, fotos da carrinha e os nossos contactos. www.tellastory.pt

 

Quem são os autores deste projeto?

Três amigos de longa data. Com histórias de vida diferentes, mas com um amor comum aos livros. O João, o Domingos e o Francisco. É imperativo perguntar se gostam de ler. Adoramos. Foi o motor deste projeto.

 

Que autores portugueses vos fascinam e porquê?

Sendo três sócios existem ''conflitos'' saudáveis de gostos. Mas a nossa vontade era que TODOS os que nos visitam lessem António Lobo Antunes, José Cardoso Pires, Sophia Mello Breyner, Fernando Pessoa e Eça de Queiroz.

Tell a Story

 

Os autores deste blogue estavam a ler uma newsmagazine quando deram de caras com um artigo sobre um negócio bastante original e que alia a literatura ao turismo que se faz em Portugal. Talvez tenha sido o azul claro da carrinha Renault Estaffete de 1977 que nos tenha chamado à atenção, mas este deve ser, certamente, o chamariz para aquilo que é a verdadeira alma do Tell a Story. É nada mais, nada menos, que uma livraria móvel que quer dar a conhecer obras da literatura portuguesa traduzida aos turistas que passeiam pela cidade. Através de uma entrevista concedida a este blogue, os autores explicam como é que esta ideia surgiu, de que forma promove a cultura portuguesa e o cosmopolitismo e a troca de saberes entre Portugal e os outros países, entre muitas outras questões, que amanhã podem ver aqui na íntegra. 

 

Percurso pela Cultura Literária - «Realismo»

Realismo (1871-1890)

 

Na mão de Deus, na sua mão direita, 
Descansou afinal meu coração. 
Do palácio encantado da Ilusão 
Desci a passo e passo a escada estreita. 

Como as flores mortais, com que se enfeita 
A ignorância infantil, despojo vão, 
Depois do Ideal e da Paixão 
A forma transitória e imperfeita. 

Como criança, em lôbrega jornada, 
Que a mãe leva ao colo agasalhada 
E atravessa, sorrindo vagamente, 

Selvas, mares, areias do deserto... 
Dorme o teu sono, coração liberto, 
Dorme na mão de Deus eternamente! 

Antero de Quental

A minha Língua

O Português, enquanto língua, continua a ser alvo constante de pequenos e grandes crimes, ou então, como diz um dos jornalistas que se afasta da baixeza do jornalismo praticado em Portugal e que apareceu no outro dia na TV, tem sofrido com os diversos atos "atentórios" contra a sua dignidade. Infelizmente, e com grande desagrado da nossa parte, para muitos, a língua, não enquanto orgão, mas enquanto meio de comunicação entre pessoas, é cada vez mais e apenas um elemento de trabalho impreciso, moldável e onde predominam réstias de ignorância e cansaço. Não falamos dos erros que qualquer um pode cometer, mas sim de que existe uma fronteira, ainda que bastante ténue, entre o bom e o mau uso da língua. E que não se pode descurar esta distinção, uma vez que não se pode dar continuidade a estes péssimos tratos. Ainda que estejamos a falar da Língua. 

Texto da nossa autoria