E se....
11h. Polivalente da Escola Secundária D. Afonso Sanches. Janeiro de 2014
Previsão de aguaceiros. Vento Moderado. De Oeste.
E se tivéssemos que escolher um poema, qual seria e porquê?
O Hélder escolheria um poema de Florbela Espanca: «Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados.» justificando que a vida são dois dias, e que por vezes temos de dar um salto de fé, pois só assim se aproveita a nossa curta estadia no mundo.
A Vanessa escolheria um poema de José Gomes Ferreira: «A dor não me pertence. Vive fora de mim, na natureza, livre como a electricidade. Carrega os céus de sombra, entra nas plantas, desfaz as flores... Corre nas veias do ar, atrai nos abismos, curva os pinheiros... E em certos momentos de penumbra iguala-me à paisagem, surge nos meus olhos presa a um pássaro a morrer no céu indiferente. Mas não choro. Não vale a pena! A dor não é humana.» Este poema transporta-a para uma atmosfera que a inquieta. A dor é humana e é pelo choro que a dor se vai desvanecendo. É fácil reconhecer o cansaço e o sofrimento inalienáveis levando o poeta a negar a dor, dizendo que não lhe pertence. Porém, ao criar, este lírico acabou por transmitir o sentimento de angústia do momento, "a dor que deveras sente".
Já o César remeteria para um poema de Nuno Júdice: «Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor que se despeja no copo da vida, até meio, como se o pudéssemos beber de um trago. No fundo, como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na boca. Pergunto onde está a transparência do vidro, a pureza do líquido inicial, a energia de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta são estes cacos que nos cortam as mãos (...) Volto, então, à primeira hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez, esperando que o tempo encha o copo até cima, para que o possa erguer à luz do teu corpo e veja, através dele, o teu rosto inteiro». Escolheu-o porque, embora conheça as obras deste autor há relativamente pouco tempo, ficou embevecido com os poemas que das suas mãos saiem, e este em particular, devido à abordagem de um cliché - o amor. Que nos afeta a todos. Que nos corrompe e constrói ao mesmo tempo. Aquele que alimenta a sede ou a mata, como se estivesse dentro de um copo.
Texto da nossa autoria