Eça é que é Essa
A intemporalidade dos textos é talvez a demonstração mais inteligente da atividade pensante de muitos génios da literatura a que Portugal não ficou indiferente. E uma vez que estamos a passar por um período conturbado da nossa História, é inevitável recordar alguns textos em que o pano de fundo é revestido por uma eclosão de contextos sociopolíticos, que bem se adequam à situação político-financeira dos dias de hoje que cada vez mais descredibiliza as sociedades capitalistas.
Eça de Queirós, através dos seus textos, muitos de cariz assertivo, criticou e expôs a situação económica - e não só - do país. E da sua coletânea vasta, destacamos o seguinte texto, publicado em 1872, na revista "Farpas" que poderia ter sido escrito por um jornalista do século XXI:
"Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte."
Digam lá, se não é tal e qual, aquilo que se passa em Portugal...
Eça é que é Essa!!
Texto da nossa autoria